Já me chamaram de burguesa só porque eu não como pastel na lanchonete chinesa aí no Brasil, vulgarmente chamada de “china”. Penso da seguinte forma: se é para fazer tem que fazer direito. E isso refere-se à comida também. Se é para engordar, que seja com algo que dê prazer. Comida não é para encher, e aquele pastel é uma maçaroca! Comida é para dar prazer.
Gosto muito de comer. Tenho cabeça de gordo, sempre tive. Estou sempre pensando nos petiscos, na sobremesa, no que comerei ao jantar… Comida para mim não é apenas alimento.
Mas a questão que me aflige hoje é outra. Hoje passei na delicatessen do El Corte Inglés, para quem não conhece o El Corte Inglés é uma megaloja espanhola que vende tudo do bom e do melhor. Caríssima, naturalmente. Mas eu voltei à condição de estudante e os estudantes não têm lá muitas vontades. Aliás, ser estudante é a minha desculpa para muitas coisas. Sempre que os ceguinhos do metrô, mendigos ou pessoas de instituições de caridade me pedem dinheiro, respondo: “Não dá, sou estudante”. Geralmente, me safo bem... Hehehe. Mas é verdade, não posso gastar dinheiro com nada supérfluo. Mas, apesar da minha condição profissional, eu devo ter sido rica em outra encarnação. Como toda taurina que se preze, gosto de comer bem. Quando digo comer bem, não digo comer muito, digo comer comida bem-feita.
Mas o meu problema é que eu gosto de tudo que é caro. Para mim, quanto mais fungos o queijo tiver, mais gostoso ele é. Difícil escolher um queijo preferido. Qualquer um é bom. Além disso, aprecio novos sabores, como misturas entre doce e salgado e entre quente e gelado. Amo aqueles salgadinhos de festa dos casamentos de alto nível, bem sequinhos… Salgadinho oleoso é o que há de pior. Adoro chocolate belga e suíço. E a lista continua com palmito, tomate seco, geléias de todos os tipos, caramelos, compotas, frios, enchidos, defumados… Palmito é algo bem difícil de se encontrar por aqui. Além disso, é muito caro... Coisa de 10 euros o potinho. A maioria dos portugueses que eu conheço nunca comeu palmito. Tomate seco também é incomum. Difícil à beça de encontrar e é bem mais caro que aí no Brasil.
Eu também gosto de beber café na xícara. Fico com cara de decepção quando me dão copos de papel. Para sucos ou refrigerantes, o copo tem de ser de vidro. Odeio canudos! Também não consigo comer sem guardanapos e não gosto de cigarro velho e amassado.
Enfim, desabafei. Essas são algumas das minhas frescuras. E as suas, amigos leitores? Quais são?
Bem-vindos!
Sejam bem-vindos a este blog de uma brasileira que vive em Lisboa e "anda" por Portugal. Aqui vocês podem saber quais são minhas impressões desta terrinha lusa.
Lembrem-se: os meus textos estão escritos em português do Brasil, pois a maioria dos meus leitores é brazuca. Mas, com o passar do tempo, já cometo deslizes... Caraças, pá!
Lembrem-se: os meus textos estão escritos em português do Brasil, pois a maioria dos meus leitores é brazuca. Mas, com o passar do tempo, já cometo deslizes... Caraças, pá!
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
A Amália
Hoje, fui ao cinema assistir uma produção portuguesa sobre a vida da Amália Rodrigues, chama-se “Amália, o Filme”. O filme tem suas falhas, é longo demais, muitos flashbacks, meio confuso… Mas vale a pena.
Na minha opinião, a Amália Rodrigues está para Portugal como a Elis Regina para o Brasil e como a Edith Piaf para a França. Três mulheres inesquecíveis, com vidas trágicas e vozes fenomenais capazes de emocionar qualquer público. Canções que falam de dor, de sofrimento, de amor e de sentimentos. É música que brota, que vem das entranhas... Sem aula de canto, sem protools… O mais natural possível. Poucas pessoas nascem assim.
Em um trecho do filme, Amália, ao ver que as pessoas se aproximavam dela em busca de dinheiro, pergunta ao marido porque ela não pode ter uma vida normal como os outros. Ele responde: “Porque você não é como os outros”. Simples assim. E não era mesmo.
Outro diálogo que eu adorei retrata bem a mulher portuguesa. Um dos admiradores de Amália, um banqueiro português, diz a ela: “Tu não és fácil, pois não?” Ela responde: “Pois não. Sou portuguesa”. As portuguesas tradicionais não são realmente fáceis. São mulheres de fibra e extremamente emocionais. Tenho um exemplo na família. E Amália era assim. Em outra cena, após um concerto na França, um francês diz a ela que iria transformá-la em uma vedete francesa. Com uma cara de nojo e de estranhamento, ela responde: “Mas por quê haveria de ser francesa se nasci portuguesa?” Hahaha. Óptimo! (com “p” mesmo).
O filme também mostra o primeiro encontro de Amália com o ditador português Salazar. A fadista foi acusada, após a revolução, de ser aliada do regime. Muitos outros músicos portugueses lutaram arduamente contra o regime, assim como no Brasil, entre eles José Afonso, Sérgio Godinho e José Mário Branco, mas Amália escusou-se. Para a fadista, sua função não era se envolver na política, ela dizia que apenas queria cantar para o seu povo. Manteve uma relação, digamos, diplomática com Salazar e, após a Revolução dos Cravos, chegou a ser vaiada no palco. O filme mostra o primeiro concerto de Amália após a revolução. Sob acusações de “fascista” e “cantora do regime”, Amália entrou no palco. Em poucos minutos, sufocou os gritos com sua voz e foi aplaudida de pé. É só para quem pode…
O filme vale o preço do bilhete pela vida de Amália, pelas cenas em Lisboa e nas casas de fado, pelos diálogos, pela atriz que interpreta a fadista, pelo primeiro marido de Amália que é um colírio para os olhos (hehe) e pela música, é claro.
Já diz o ditado que “quem não gosta de samba, bom sujeito não é”, mas se você, meu amigo leitor, me disser que não gosta de fado, eu vou achar que você tem uma pedra no lugar do coração.
Na minha opinião, a Amália Rodrigues está para Portugal como a Elis Regina para o Brasil e como a Edith Piaf para a França. Três mulheres inesquecíveis, com vidas trágicas e vozes fenomenais capazes de emocionar qualquer público. Canções que falam de dor, de sofrimento, de amor e de sentimentos. É música que brota, que vem das entranhas... Sem aula de canto, sem protools… O mais natural possível. Poucas pessoas nascem assim.
Em um trecho do filme, Amália, ao ver que as pessoas se aproximavam dela em busca de dinheiro, pergunta ao marido porque ela não pode ter uma vida normal como os outros. Ele responde: “Porque você não é como os outros”. Simples assim. E não era mesmo.
Outro diálogo que eu adorei retrata bem a mulher portuguesa. Um dos admiradores de Amália, um banqueiro português, diz a ela: “Tu não és fácil, pois não?” Ela responde: “Pois não. Sou portuguesa”. As portuguesas tradicionais não são realmente fáceis. São mulheres de fibra e extremamente emocionais. Tenho um exemplo na família. E Amália era assim. Em outra cena, após um concerto na França, um francês diz a ela que iria transformá-la em uma vedete francesa. Com uma cara de nojo e de estranhamento, ela responde: “Mas por quê haveria de ser francesa se nasci portuguesa?” Hahaha. Óptimo! (com “p” mesmo).
O filme também mostra o primeiro encontro de Amália com o ditador português Salazar. A fadista foi acusada, após a revolução, de ser aliada do regime. Muitos outros músicos portugueses lutaram arduamente contra o regime, assim como no Brasil, entre eles José Afonso, Sérgio Godinho e José Mário Branco, mas Amália escusou-se. Para a fadista, sua função não era se envolver na política, ela dizia que apenas queria cantar para o seu povo. Manteve uma relação, digamos, diplomática com Salazar e, após a Revolução dos Cravos, chegou a ser vaiada no palco. O filme mostra o primeiro concerto de Amália após a revolução. Sob acusações de “fascista” e “cantora do regime”, Amália entrou no palco. Em poucos minutos, sufocou os gritos com sua voz e foi aplaudida de pé. É só para quem pode…
O filme vale o preço do bilhete pela vida de Amália, pelas cenas em Lisboa e nas casas de fado, pelos diálogos, pela atriz que interpreta a fadista, pelo primeiro marido de Amália que é um colírio para os olhos (hehe) e pela música, é claro.
Já diz o ditado que “quem não gosta de samba, bom sujeito não é”, mas se você, meu amigo leitor, me disser que não gosta de fado, eu vou achar que você tem uma pedra no lugar do coração.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
A síndrome da sexta-feira
Sabe a “síndrome da sexta-feira”? Eu chego à conclusão de que a “síndrome da sexta-feira” é algo tipicamente brasileiro. Nós esperamos o fim-de-semana com uma ansiedade tamanha, a sexta nunca chega e, cá entre nós, a sexta-feira é o melhor dia da semana. Dia de sair de casa, de encontrar o namorado, os amigos... E o melhor de tudo: mais dois dias livres pela frente.
Para quem trabalha no centro da cidade então… A sexta é o dia da “esticada” depois do trabalho. Do chope, do papo com os amigos, do happy hour, da pizza, do frango à passarinho, do acarajé e do engarrafamento na volta para casa... Mas nada disso importa, pois é sexta-feira. Nosso humor muda, e ficamos mais felizes e sorridentes.
Pois então, tenho que vos contar que aqui não é assim. Para a maioria dos portugueses, a sexta-feira é um dia de descanso. O dia escolhido por eles para sair geralmente é o sábado. Os estudantes saem mais durante a semana e, nos fins-de-semana, a maioria deles vai visitar os parentes no interior. Esse é o meu caso agora. De 15 em 15 dias, tenho ido à casa da minha avó no interior. O fim-de-semana por lá está ficando agitado. Descobri um bar de “fumadores” (aleluia!), pois o frio está de rachar e não dá para passar frio para fumar. Como também não dá para não fumar, o negócio é arrumar um bar de “fumadores” (leia-se fumantes). E achei! O nome do bar é Karranka e tem uma programação legal: bandas de rock e djs (meu pc não tem apóstrofo, abstraiam!).
Também já tenho amigos por lá e estou gostando muito de ir à terrinha. Chato é passar o fim-de-semana em Lisboa sem dinheiro. Lisboa sem grana é mesmo chata! Além disso, minhas amigas quase nunca ficam na cidade nos fins-de-semana e fico sem companhia.
Mas posso dizer que, até hoje, não perdi a “síndrome da sexta-feira”. Continuo aguardando o fim-de-semana e, quando a sexta-feira chega, fico louca para sair de casa. Agora, aguardo o fim-de-semana que vou à minha avó, ter com meu novo namorado. Pois é, amigos, arrumei um namorado que mora longe... Quase um namoro virtual. Hehehe. Mas, por um lado é bom, pois dá saudade e me dedico mais aos estudos. Tenho de me adaptar a essa nova realidade e esquecer que “tenho de sair na sexta-feira”…
Mas, neste fim-de-semana, vou ver vovó! Então, já tenho motivos para aguardar a sexta-feira.
Para quem trabalha no centro da cidade então… A sexta é o dia da “esticada” depois do trabalho. Do chope, do papo com os amigos, do happy hour, da pizza, do frango à passarinho, do acarajé e do engarrafamento na volta para casa... Mas nada disso importa, pois é sexta-feira. Nosso humor muda, e ficamos mais felizes e sorridentes.
Pois então, tenho que vos contar que aqui não é assim. Para a maioria dos portugueses, a sexta-feira é um dia de descanso. O dia escolhido por eles para sair geralmente é o sábado. Os estudantes saem mais durante a semana e, nos fins-de-semana, a maioria deles vai visitar os parentes no interior. Esse é o meu caso agora. De 15 em 15 dias, tenho ido à casa da minha avó no interior. O fim-de-semana por lá está ficando agitado. Descobri um bar de “fumadores” (aleluia!), pois o frio está de rachar e não dá para passar frio para fumar. Como também não dá para não fumar, o negócio é arrumar um bar de “fumadores” (leia-se fumantes). E achei! O nome do bar é Karranka e tem uma programação legal: bandas de rock e djs (meu pc não tem apóstrofo, abstraiam!).
Também já tenho amigos por lá e estou gostando muito de ir à terrinha. Chato é passar o fim-de-semana em Lisboa sem dinheiro. Lisboa sem grana é mesmo chata! Além disso, minhas amigas quase nunca ficam na cidade nos fins-de-semana e fico sem companhia.
Mas posso dizer que, até hoje, não perdi a “síndrome da sexta-feira”. Continuo aguardando o fim-de-semana e, quando a sexta-feira chega, fico louca para sair de casa. Agora, aguardo o fim-de-semana que vou à minha avó, ter com meu novo namorado. Pois é, amigos, arrumei um namorado que mora longe... Quase um namoro virtual. Hehehe. Mas, por um lado é bom, pois dá saudade e me dedico mais aos estudos. Tenho de me adaptar a essa nova realidade e esquecer que “tenho de sair na sexta-feira”…
Mas, neste fim-de-semana, vou ver vovó! Então, já tenho motivos para aguardar a sexta-feira.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Ao pé de casa… O paraíso
Vocês não sabem o que eu descobri ao pé de minha nova casa… Um podrão! Hahaha. E dos bons! Que fica aberto até as seis da matina! Que alegria… O podrão é de um pessoal do Brasil e, além de venderem os tradicionais sandubas, também vendem o nosso pastel, doce de leite, paçoca, cocada e, pasmem, coxinha com catupiry! Enfim, é o paraíso.
E o hambúrguer é de boa qualidade… Não sei se vocês têm idéia, mas por aqui é difícil encontrar hambúrgueres sem aqueles nervinhos nojentos.. Esse não tem! E eles ainda dão maionese e ketchup.. Tô tão feliz! Hahaha. Amanhã vou comer pastel. Custa dois euros, vai ser o pastel mais caro da minha vida. Também tô louca pela coxinha…
Norton, depois te digo qual é a nota! Hehehe. Mas o meu tempero, a saudade, vai contribuir bastante para o meu julgamento.
E o hambúrguer é de boa qualidade… Não sei se vocês têm idéia, mas por aqui é difícil encontrar hambúrgueres sem aqueles nervinhos nojentos.. Esse não tem! E eles ainda dão maionese e ketchup.. Tô tão feliz! Hahaha. Amanhã vou comer pastel. Custa dois euros, vai ser o pastel mais caro da minha vida. Também tô louca pela coxinha…
Norton, depois te digo qual é a nota! Hehehe. Mas o meu tempero, a saudade, vai contribuir bastante para o meu julgamento.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Olá, amigos!
Já cá estou de volta há quase dois meses e ainda não havia escrito nada. Peço sinceras desculpas e espero que as pessoas não desistam de ler o blog em função da minha pouca assiduidade. Hehehe. Minha vida anda muito atribulada, e agora estou vendo o que realmente é estudar. O lance agora não é estudar para passar, é estudar para arrasar!
O ritmo está pesado, mas estou começando a gostar dessa história de seguir carreira académica. Sem falar que, como vou estudar meios de comunicação de massa, voltei a ler os grandes teóricos da comunicação: Adorno, Benjamin, Umberto Eco e companhia. É divertido, mas, ao mesmo tempo, dá muita saudade dos tempos da PUC… Aqui em Portugal, eles recorrem a muitos teóricos ingleses também, mais recentes, que nós não costumamos estudar no Brasil. Estou empolgada, mas sei que ainda tenho muito trabalho pela frente. Mas é importante ressaltar que minha dissertação é atual, não vou ficar apenas no campo teórico. Análise quantitativa! Estou mesmo lascada…
Lisboa não é mais novidade para mim, mas, nas minhas saídas, tenho descoberto lugares novos e diferentes. Apesar de pequena em relação ao Rio de Janeiro, Lisboa tem seus encantos.
Aqui já é Outono. As folhas das árvores já caem, e a cidade está cada vez mais bonita. Já se vendem castanhas assadas nas ruas em todas as esquinas. Como diz o fado, Lisboa cheira a castanhas. E “cheira bem, cheira a Lisboa”.
O ritmo está pesado, mas estou começando a gostar dessa história de seguir carreira académica. Sem falar que, como vou estudar meios de comunicação de massa, voltei a ler os grandes teóricos da comunicação: Adorno, Benjamin, Umberto Eco e companhia. É divertido, mas, ao mesmo tempo, dá muita saudade dos tempos da PUC… Aqui em Portugal, eles recorrem a muitos teóricos ingleses também, mais recentes, que nós não costumamos estudar no Brasil. Estou empolgada, mas sei que ainda tenho muito trabalho pela frente. Mas é importante ressaltar que minha dissertação é atual, não vou ficar apenas no campo teórico. Análise quantitativa! Estou mesmo lascada…
Lisboa não é mais novidade para mim, mas, nas minhas saídas, tenho descoberto lugares novos e diferentes. Apesar de pequena em relação ao Rio de Janeiro, Lisboa tem seus encantos.
Aqui já é Outono. As folhas das árvores já caem, e a cidade está cada vez mais bonita. Já se vendem castanhas assadas nas ruas em todas as esquinas. Como diz o fado, Lisboa cheira a castanhas. E “cheira bem, cheira a Lisboa”.
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Uma amiga para a vida toda
Amanhã fecho mais um ciclo. Deixo meu quarto e vou passar uns dias na casa da minha avó antes de ir ao Brasil. Deixo também minha amiga chinesa, a Pan Tan, ou Helen, como prefere ser chamada. Ela volta para a China em setembro. Segundo ela, ninguém consegue falar corretamente seu nome, então ela prefere ser chamada pelo nome que lhe foi dado pela professora do curso de português. A propósito, aqui em Portugal, eles dizem Elen, pois não pronunciam o “agá”.
A Helen apareceu por acaso em minha vida. Alugou o quarto e foi se chegando, de repente, com uma simpatia de dar inveja a nós, brasileiros. A Helen ter orgulho em ser chinesa, é uma “business woman”. Ela nunca ouviu falar no Nirvana, nos Rolling Stones e só tinha visto a Madonna depois de velha. Mas ela gosta da Madonna. Acha “very nice”.
O português da Helen evoluiu muito, mas eu, por conformismo e um pouco de egoísmo, prefiro comunicar-me com ela em inglês, que, por sinal, depois destes seis meses de conversação, está bem mais fluente.
A Helen me ensinou muitas coisas sobre a vida e sobre como olhar o mundo. Ensinou-me a ser mais paciente, a pensar à frente, a ter mais confiança e a acreditar mais nas pessoas. Ela não é budista, acredita no “fluxo de energia” e está sempre falando nisso. Ela não entende como alguém pode ir para a cama com alguém que mal conhece, mas entende como alguém pode se casar virgem. Os valores da Helen são totalmente diferentes dos valores ocidentais.
É uma menina do Norte da China, mas estudou em Xangai. Ama Xangai e quer passar o resto dos seus dias por lá. Não tem irmãos, como era de se esperar, mas gostaria de ter muitos.
A Helen come couve no café da manhã. Frita tudo. Tem uma frigideira enorme. Em compensação, come frutas o dia todo. Ela também toma chá de flores. Várias florzinhas boiando na caneca. Tenho vontade de vomitar!
O computador e o celular dela são em chinês. Ou melhor, em mandarim. Mandarim é a língua oficial da China. É a língua escrita oficial porque, no que diz respeito à fala, o negócio é diferente. Existem muitos dialetos no país. Ela me explicou que o mandarim tem mais de 5 mil caracteres e que eles expressam idéias, não correspondem a letras, como os caracteres do nosso alfabeto. É claro que os 5 mil caracteres não conseguem exprimir tudo que deve ser dito, portanto, alguns caracteres são utilizados juntamente, ou seja, algo realmente complicado para nós, ocidentais, entendermos.
Ela me mostrou música pop chinesa no youtube. Também me mostrou a música tradicional e fotos maravilhosas. Ela me disse que os homens chineses tratam as mulheres como princesas. Ela acha que os homens europeus são agressivos.
Ela me contou como nasceu o Japão! Segundo ela, há milhares de anos atrás, o imperador da China queria tornar-se imortal e mandou um barco com 100 moças e 100 rapazes chineses para o mar em busca do segredo da imortalidade. Algo meio Arca de Noé, mas sem os animais. Eles, obviamente, não o encontraram e acabaram por fixar-se em uma ilha, cultivaram a terra, reproduziram-se.. Daí surgiu o Japão! Adorei essa história e perguntei a ela se era uma lenda. Ela disse que não, pois os chineses são obcecados por essa idéia de vida longa e imortalidade, portanto, ela não acha difícil que, há milhares de anos atrás, o imperador acreditasse nessa possibilidade. Além disso, ela me disse que existem muitas semelhanças entre o mandarim e o japonês. Segundo ela, ela consegue entender o japonês escrito, mas não consegue falar.
Ela disse também que só se comem insetos e cachorros em uma parte da China. Ela não come, mas apareceu em casa, uma vez, com uns pés de galinha nojentos e não cansava de dizer que aquilo era delicioso. Até pegou uma receita na Internet.
A Helen acha o povo português muito pessimista. Ela comprou o Interrail e viajou a Europa toda. Adorou Veneza, mas não gostou muito de Paris. Ela não sabe lavar a louça direito. Ela diz que é gorda para os padrões chineses. Ela queria inscrever-se em uma aula de hip-hop! Ela adorou o Alexandre. E ele também a adorou. Mesmo com as “falhas” na comunicação.
Ela é íntegra, honesta, parceira e muito educada. Leonina. Ela nasceu no mesmo ano que eu. No horóscopo chinês, somos cachorro. Isso quer dizer que somos leais. Vou sentir falta dela. Das pipocas, das noites vendo desenhos animados e filmes da Disney. Dos conselhos. De tudo! I will miss you, my chinese friend!
A Helen apareceu por acaso em minha vida. Alugou o quarto e foi se chegando, de repente, com uma simpatia de dar inveja a nós, brasileiros. A Helen ter orgulho em ser chinesa, é uma “business woman”. Ela nunca ouviu falar no Nirvana, nos Rolling Stones e só tinha visto a Madonna depois de velha. Mas ela gosta da Madonna. Acha “very nice”.
O português da Helen evoluiu muito, mas eu, por conformismo e um pouco de egoísmo, prefiro comunicar-me com ela em inglês, que, por sinal, depois destes seis meses de conversação, está bem mais fluente.
A Helen me ensinou muitas coisas sobre a vida e sobre como olhar o mundo. Ensinou-me a ser mais paciente, a pensar à frente, a ter mais confiança e a acreditar mais nas pessoas. Ela não é budista, acredita no “fluxo de energia” e está sempre falando nisso. Ela não entende como alguém pode ir para a cama com alguém que mal conhece, mas entende como alguém pode se casar virgem. Os valores da Helen são totalmente diferentes dos valores ocidentais.
É uma menina do Norte da China, mas estudou em Xangai. Ama Xangai e quer passar o resto dos seus dias por lá. Não tem irmãos, como era de se esperar, mas gostaria de ter muitos.
A Helen come couve no café da manhã. Frita tudo. Tem uma frigideira enorme. Em compensação, come frutas o dia todo. Ela também toma chá de flores. Várias florzinhas boiando na caneca. Tenho vontade de vomitar!
O computador e o celular dela são em chinês. Ou melhor, em mandarim. Mandarim é a língua oficial da China. É a língua escrita oficial porque, no que diz respeito à fala, o negócio é diferente. Existem muitos dialetos no país. Ela me explicou que o mandarim tem mais de 5 mil caracteres e que eles expressam idéias, não correspondem a letras, como os caracteres do nosso alfabeto. É claro que os 5 mil caracteres não conseguem exprimir tudo que deve ser dito, portanto, alguns caracteres são utilizados juntamente, ou seja, algo realmente complicado para nós, ocidentais, entendermos.
Ela me mostrou música pop chinesa no youtube. Também me mostrou a música tradicional e fotos maravilhosas. Ela me disse que os homens chineses tratam as mulheres como princesas. Ela acha que os homens europeus são agressivos.
Ela me contou como nasceu o Japão! Segundo ela, há milhares de anos atrás, o imperador da China queria tornar-se imortal e mandou um barco com 100 moças e 100 rapazes chineses para o mar em busca do segredo da imortalidade. Algo meio Arca de Noé, mas sem os animais. Eles, obviamente, não o encontraram e acabaram por fixar-se em uma ilha, cultivaram a terra, reproduziram-se.. Daí surgiu o Japão! Adorei essa história e perguntei a ela se era uma lenda. Ela disse que não, pois os chineses são obcecados por essa idéia de vida longa e imortalidade, portanto, ela não acha difícil que, há milhares de anos atrás, o imperador acreditasse nessa possibilidade. Além disso, ela me disse que existem muitas semelhanças entre o mandarim e o japonês. Segundo ela, ela consegue entender o japonês escrito, mas não consegue falar.
Ela disse também que só se comem insetos e cachorros em uma parte da China. Ela não come, mas apareceu em casa, uma vez, com uns pés de galinha nojentos e não cansava de dizer que aquilo era delicioso. Até pegou uma receita na Internet.
A Helen acha o povo português muito pessimista. Ela comprou o Interrail e viajou a Europa toda. Adorou Veneza, mas não gostou muito de Paris. Ela não sabe lavar a louça direito. Ela diz que é gorda para os padrões chineses. Ela queria inscrever-se em uma aula de hip-hop! Ela adorou o Alexandre. E ele também a adorou. Mesmo com as “falhas” na comunicação.
Ela é íntegra, honesta, parceira e muito educada. Leonina. Ela nasceu no mesmo ano que eu. No horóscopo chinês, somos cachorro. Isso quer dizer que somos leais. Vou sentir falta dela. Das pipocas, das noites vendo desenhos animados e filmes da Disney. Dos conselhos. De tudo! I will miss you, my chinese friend!
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Família em Portugal
Na última quarta-feira, meu pai, minha irmã e minha madrasta voltaram para o Brasil. Eles estiveram aqui por três semanas e estive com eles este tempo, lá na terrinha, mas viajamos bastante. Já me sinto só, depois de tanto tempo, estou novamente sem companhia. A boa notícia é que vou ao Brasil em setembro! Nem acredito ainda. Acho que só vou acreditar quando tiver a passagem em mãos. Mas não, nada vai atrapalhar meus planos. Hehehe. Já estou de férias, mas a passagem está muito cara agora em agosto, o preço cai quase pela metade em setembro! Tem de ser assim. Assim sendo, vou ver se descolo um emprego de verão para ganhar dinheiro agora em agosto e me ocupar.
Este período com a minha família foi ótimo, pois serviu para eu conhecer pessoas da minha família que eu não lembrava ou que nunca tinha conhecido. Minha irmã também já está crescidinha e me faz companhia. Além disso, passamos por muitos lugares legais: Batalha, cidade onde os portugueses derrotaram os espanhóis pela primeira vez quando estes dominaram Portugal; Fátima, cidade em que Nossa Senhora de Fátima fez sua primeira aparição e que recebe peregrinos o ano todo; Buçaco, é um lugar que tem um hotel lindíssimo em que o rei e a rainha hospedavam-se; Conimbriga, é uma cidade antiga que ainda está sendo escavada e que foi sede de uma civilização no século VII A.C.; Coimbra, bem, acho que essa dispensa explicações e Aveiro, que é uma cidade maior, mais desenvolvida. Também fomos a Santiago de Compostela, capital da Galiza, na Espanha. A cidade é uma graça e a catedral é imensa. O Paulo Coelho descreve o caminho para Santiago de Compostela no “Diário de um Mago”. Mas não fiz a peregrinação, fui de carro mesmo. Hehehe. Para ver mais, vejam minhas fotos no orkut. Y hasta luego, amigos!
Este período com a minha família foi ótimo, pois serviu para eu conhecer pessoas da minha família que eu não lembrava ou que nunca tinha conhecido. Minha irmã também já está crescidinha e me faz companhia. Além disso, passamos por muitos lugares legais: Batalha, cidade onde os portugueses derrotaram os espanhóis pela primeira vez quando estes dominaram Portugal; Fátima, cidade em que Nossa Senhora de Fátima fez sua primeira aparição e que recebe peregrinos o ano todo; Buçaco, é um lugar que tem um hotel lindíssimo em que o rei e a rainha hospedavam-se; Conimbriga, é uma cidade antiga que ainda está sendo escavada e que foi sede de uma civilização no século VII A.C.; Coimbra, bem, acho que essa dispensa explicações e Aveiro, que é uma cidade maior, mais desenvolvida. Também fomos a Santiago de Compostela, capital da Galiza, na Espanha. A cidade é uma graça e a catedral é imensa. O Paulo Coelho descreve o caminho para Santiago de Compostela no “Diário de um Mago”. Mas não fiz a peregrinação, fui de carro mesmo. Hehehe. Para ver mais, vejam minhas fotos no orkut. Y hasta luego, amigos!
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