Bem-vindos!

Sejam bem-vindos a este blog de uma brasileira que vive em Lisboa e "anda" por Portugal. Aqui vocês podem saber quais são minhas impressões desta terrinha lusa.
Lembrem-se: os meus textos estão escritos em português do Brasil, pois a maioria dos meus leitores é brazuca. Mas, com o passar do tempo, já cometo deslizes... Caraças, pá!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

2010 é o ano!


Olá, amigos leitores!
Para ser sincera, nem sei se ainda tenho leitores, tendo em vista o tempo que não atualizo este blog. Espero que sim. Tenho muitas novidades desde o último post. Defendi a dissertação de mestrado, estou trabalhando na área de Comunicação da Universidade de Coimbra e consegui uma bolsa para realizar um estágio profissional de nove meses em Londres. Começo em julho e vou trabalhar na área de comunicação interna de um museu: o Victoria and Albert Museum. Estou radiante!
São muitas novidades, muitas inseguranças e esperanças em torno do meu futuro. Não pretendo abandonar o blog, mas é inevitável manter-me distante de tempos em tempos. Tenho de resolver muitos pormenores antes de viajar e, infelizmente, terei de adiar novamente uma ida ao Brasil… Essa saudade ainda me mata!
Mudando de assunto, talvez mude o endereço desta página, o que acham? Impressões dos Bifes? Hahaha! Aceito sugestões.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Casamento Homossexual


A polêmica do momento em Portugal diz respeito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Depois de muito bafafá, o Partido Socialista apresentou uma proposta de lei com o intuito de legalizar a união civil entre homossexuais, uma das bandeiras do programa eleitoral, deixando de lado a possibilidade de adoção. A proposta, já quase em vias de ser aprovada, recebeu agora uma bordoada: membros da sociedade civil apresentaram uma petição com mais de 90 mil assinaturas para que seja realizado um referendo.
No meio de toda essa polêmica, o presidente Cavaco Silva declarou, ainda que em outras palavras, que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é algo de menor importância, tendo em vista o contexto de crise que o país atravessa. Na minha humilde opinião, acho esta questão de fundamental importância, visto que propõe a igualdade entre os cidadãos, ponto-chave de qualquer democracia que se preze. E me pergunto: quem são estas pessoas que querem interferir em um direito completamente subjetivo de união entre dois indivíduos? Qual é a necessidade de se instaurar um referendo? E qual a razão para negar a adoção?
A instauração de um referendo é revoltante, além de ser uma medida reacionária. Temo que, caso o referendo seja realizado, os homossexuais percam o direito de se unirem legalmente, já que mais da metade da população portuguesa é contra o casamento homossexual. Os partidos de direita prometem aprovar a proposta de referendo enquanto os de esquerda já afirmaram que vão chumbar a petição. Espero que consigam.
Quanto à adoção, os argumentos para negar essa possibilidade às pessoas do mesmo sexo são preconceituosos e sem fundamento. Um deles é que os filhos de homossexuais tornar-se-ão também homossexuais, como se isto fosse algum problema ou uma espécie de desvio. Cabe lembrar ainda que a maioria dos homossexuais nasceu de pais heterossexuais.
Além disso, tenho certeza que as crianças à espera de uma família procuram, acima de tudo, afeto. Não é isso que se vê. O que se vê, muitas vezes e infelizmente, é o aumento dos índices de violência doméstica em famílias…. Heterossexuais. Bem, mas a união civil já é um grande passo.
De qualquer forma, se este referendo for aprovado, vou correndo tirar o meu título de eleitor.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Jerusalém, a terra prometida


Ultimamente, apesar dos afazeres, consegui retomar algumas leituras. Tenho frequentado uma biblioteca aqui perto e eles disponibilizam muitos livros. Resolvi aproveitar agora que tenho um pouquinho de tempo.
Minha última requisição foi Jerusalém, do Mia Couto. Nunca havia lido nada dele, mas já tinha ouvido falar muito bem. E foi surpreendente. O livro está repleto de frases emblemáticas, como “Não vale a pena viver num mundo desencantado” e “Quem ama, ama para sempre”. O texto nos faz parar e pensar na felicidade, no mundo à nossa volta, na convivência, na família, na loucura e no amor.
A história está longe de ser previsível e centra-se na decisão de um pai, que decide negar o mundo a si mesmo e aos seus filhos, instalando-se num refúgio que ele mesmo batiza de Jerusalém. Em Jerusalém, não há luz elétrica, não existem mulheres e a única fêmea é a burra Jezibela, que satisfaz os desejos carnais do pai. Os personagens têm nomes estranhos, mas peculiares.
No decorrer do romance, o feminino acaba por aparecer e se instalar em Jerusalém. E muda tudo. Vale a pena ler esse livro, que, apesar de recorrer à fantasia, é extremamente real no que toca aos sentimentos. Recomendo.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Dia Engraçado

Hoje o meu dia foi engraçado. Digamos que “teve piada”. Acordei às 6h30 e liguei a TV. Soube que houve um sismo de madrugada e eu não senti. Foi forte (6.1. na escala Richter), mas ocorreu a 100km da costa portuguesa e foi sentido com pouca intensidade. Nada mais patético. Eu nunca presenciei fenómenos naturais deste tipo e, quando “surge uma oportunidade”, eu estou nos braços de Morfeu.
Superado o trauma de não ter sentido o sismo, parti para a Mealhada com o intuito de apanhar o meu trem para Almeirim, a terra dos maravilhosos melões portugueses, onde fui realizar uma entrevista de emprego. Fui tomar um cafezinho na estação, esse café maravilhoso que só há em Portugal, e escutei a voz da grande Alcione no rádio. “Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar…” Comecei bem o dia. Já a cantarolar. Foi uma saudade feliz.
Na volta para casa, comprei uma revista semanal portuguesa que eu gosto muito – a Visão – para me entreter na viagem. Era uma edição especial, uma síntese da década dos anos 2000. Cá entre nós, uma década bem difícil de definir. Lá estava o Lula, representando o Brasil, definido como “a” potência emergente do momento. Só fiquei a pensar: Que “merda” de potência emergente é essa? Em termos económicos, pode até ser, mas e todo o resto? Nós, brasileiros, continuamos na mesma “merda” de sempre, desculpe o palavreado, mas é verdade. Os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. E a classe média? Desaparecendo… Não acho que a culpa seja do Lula, ele não tem superpoderes. Mas há uma inversão de valores e de prioridades em nosso país.
Voltei para a casa da minha avó e pronto: mais um evento engraçado: tive de colocar água anti-congelante no carro. Mais uma descoberta… Eu não sabia da existência disto. Pois é, no inverno, é preciso colocar uma água no carro que não congele! Sacou?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A Saudade é Masoquista

Guardo a minha saudade escondida. Envolta em um papel difícil de rasgar. Mas ele rasga-se de vez em quando. E ela surge… Imponente e masoquista. Acompanhada por lágrimas salgadas e por um choro contido. Do que foi e do que não foi.
Hoje, o estopim foi uma fotografia… Às vezes, penso que as fotografias são ferramentas de tortura que conservam a felicidade congelada… Acho que não vou mais tirar fotografias.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Até aqui?

Ontem choveu a cântaros por aqui… Foi um daqueles dias preguiçosos em que só dá vontade de ver filme na cama acompanhada de um cobertor bem quentinho e de uma tigela de pipocas.
Mas ontem aconteceu algo histórico... Que eu felizmente não vi.
Estava na cozinha comendo uma sopinha, quando de repente escuto barulho de mensagem no meu “telemóvel”. Fui ver, e a mensagem dizia: “É campeão! É campeão! Mengão!!!!”.
Inacreditável, não é? Os flamenguistas são chatos até deste lado do Atlântico!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Rest in peace

Nunca mais vamos conversar sobre jornalismo. Sobre telejornais. Nem sobre a China ou sobre o Japão. Ele nunca mais vai ouvir com curiosidade as coisas que eu tenho a dizer sobre o Brasil. E eu nunca mais vou ouvir silenciosamente as histórias dele de quando era membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social. Ou dos tempos do 25 de Abril. Das suas viagens com a esposa. As suas impressões do mundo…
Um homem de outro tempo. Um tempo sem computadores e sem e-mail. Um homem pouco adepto das novas tecnologias que passou uma eternidade sem celular. Um homem do tempo em que as pessoas fumavam e bebiam sem dor na consciência. Politicamente incorreto neste sentido, mas politicamente correto em muitos outros. Preconceito, por exemplo, não era com ele.
Uma das pessoas mais inteligentes e cultas que eu já conheci. Quando o ouvia falar, só pensava: um dia quero ter ao menos a metade do conhecimento que esse homem tem. E ele… Ele acreditou em mim. Dizia que eu parecia ser uma “miúda esperta”.
Descansa em paz, Joel. Portugal vai sentir muita falta de ti. E eu também.